Hotel Adlon em Berlim: a história por trás do luxo

Hotel Adlon Berlin - cc Lucas Reis - Agenda Berlim

O hotel Adlon tem uma localização privilegiada (Foto do nosso amigo Lucas Reis)

Geralmente aqui no blog nós escrevemos sobre coisas que nós experimentamos na cidade. Esse post aqui vai ser uma exceção.

Não, eu não vou sair da minha casa pra passar uma noite no melhor hotel da cidade só pra contar aqui como foi. Não que nossos leitores não mereçam. É que… eu gosto muito da minha casa (só por conta disso, nada a ver com o valor da diária).

Se você quiser experimentar e nos contar como foi (como já fizeram alguns de nossos leitores e clientes), dá uma olhadinha aqui na página de reserva dele no Booking.

Apesar de nunca termos nos hospedado no hotel, a história por trás dele e o que ele representou – e ainda representa para Berlim – o torna digno de atenção.

Lorenz Adlon: um marceneiro com grande visão empreendedora

Tudo começa com Lorenz Adlon, proveniente de uma família simples em Mainz e com formação de marceneiro, que se muda pra Berlim e abre restaurantes muito bem frequentados.  Seus negócios lhe rendem uma fortuna e ele, empreendedor como era, decide construir o melhor hotel da capital prussiana.

Hotel Adlon em 1907 ©Hotel Adlon Kempinski Berlin

Hotel Adlon em 1907 ©Hotel Adlon Kempinski Berlin

O problema é que ele queria construir o melhor hotel, no melhor local da cidade (Unter den Linden 1) e isso custa dinheiro, muito dinheiro. Tanto dinheiro que nem mesmo ele, já rico, tinha.

Há uma estimativa de que, em valores atuais, o projeto custaria em torno de 350 milhões de Euros. E custou. O próprio imperador, Willhelm II, foi um entusiasta do projeto, já que Berlim, segundo o monarca, não tinha locais apropriados para seus convidados.

O Adlon virou então, o palácio dos convidados (Gastpalais) do Kaiser a partir do outono de 1907. De fato toda a nobreza que passava por Berlim se hospedava lá, assim como mais tarde se hospedaram também grandes artistas do início do século XX (Chaplin, Marlene Dietrich).

Charlie Chaplin e Marlene Dietrich no Adlon em 1931 ©AP/dapd

Também era ponto de encontro da nata intelectual de Berlim. Boa parte dos agraciados com o Nobel frequentou o hotel. Era um sucesso, inicialmente metade dos quartos tinha banheiro próprio e telefone, um verdadeiro luxo.

Durante os últimos meses da primeira guerra, a população de Berlim estava em enormes dificuldades, muita gente passando fome e uma grande escassez de mercadorias. Mas Lorenz conseguiu manter o padrão do hotel, seu principal fornecedor era o mercado negro. Os hóspedes daquela época chamavam o hotel de oásis, já que tudo parecia normal, como antes da guerra, da recepção pra dentro.

Depois da primeira guerra, e com o fim da monarquia, Lorenz se recusa a se adaptar aos novos tempos. Uma das coisas que mais o frustrava era ver a passagem central do Portão de Brandemburgo, direto na frente de seu hotel, sendo transpassada por pessoas normais (antes era privilégio do imperador), muitas vezes com os barulhentos carros no lugar das elegantes carruagens.

Ele morre em 1921, à noite, atropelado por um carro exatamente no meio do Portão de Brandemburgo.

De pai pra filho: Louis Adlon ajuda judeus durante a IIGM

O novo General-Direktor do hotel passa a ser Louis Adlon, filho de Lorenz. Louis pegou toda a chamada época de ouro de Berlim do final da década de 20, recepcionando personalidades em grande estilo.

Durante o regime nazista, o hotel também serve como um palácio de convidados do partido e é palco da vida noturna da classe alta, política e econômica. O prédio ficava muito próximo de boa parte dos órgãos nazistas, na Wilhelmstrasse.

Hotel Adlon durante o regime nazista ©Bundesarchiv

Hotel Adlon durante o regime nazista ©Bundesarchiv

Louis Adlon, entretanto, ajudou alguns de seus funcionários judeus a fugir da Alemanha Nazista.

Geralmente o tempo para a pessoa se formar como cozinheiro, camareiro, garçom e serviços gerais num hotel desse porte era de 3 anos. Louis adiantou esse tempo para 2 anos para seus empregados judeus, de modo que eles pegassem seus certificados e emigrassem.

Diferentemente de vários de seus funcionários judeus, o General-Direktor não saiu ileso da Segunda Guerra.

Quando procurado pelos militares soviéticos, logo depois da tomada de Berlim pelo exército vermelho, uma empregada sua (que não falava russo) disse aos soviéticos (que não falavam alemão) que ele era o General-Direktor (diretor geral) do hotel.

Os russos só entenderam o “General” e o levaram, confundindo-o, provavelmente, com um alto oficial nazista. Poucos dias depois ele aparece morto sob circunstâncias nunca esclarecidas.

Demolido para passar o muro de Berlim

O prédio do hotel foi pouco danificado durante a guerra, mas, ainda em 1945, um incêndio o destruiu todo, com exceção de uma única ala, que continuou funcionando com todo o luxo de costume.

No período de ocupação soviética, o hotel continuou em funcionamento assim como nos anos iniciais da RDA (República Democrática Alemã). Curioso é que, sob o regime socialista, vários casais passavam a noite de núpcias no melhor hotel da cidade, como uma forma de presente.

Hotel Adlon em 1945 com a figura de Stalin à frente ©dpa

Hotel Adlon em 1945 com a figura de Stalin à frente ©dpa

Nos anos 1960, o Adlon, que passou por duas guerras, pelos anos dourados de Berlim e pela ocupação soviética, havia chegado ao seu fim.

Como o terreno do hotel ficava no caminho do muro de Berlim, e houve um projeto do governo para o embelezamento das fronteiras, ele foi demolido.

Somente a partir de 1989, com a queda do muro, voltam os planos para a reconstrução do hotel que virou um mito.

Entre 1995 e 1997, no mesmo local, nos mesmos moldes, o Adlon foi reerguido em toda sua majestade.

Tanto a Rainha da Inglaterra, Elizabeth II, quanto o Rei do pop, Michael Jackson, hospedaram-se lá.

Michael Jackson inclusive transformou o Adlon em um dos hotéis mais famosos do mundo… quando ele pendurou o filho pela janela. Lembra?

Também o filme “Desconhecido”, Unknown Identity em inglês, tem partes importantes rodadas no hotel. Para ver mais filmes sobre ou em Berlim clique aqui.

Espero que com tudo isso você tenha entendido o porquê de eu ter escrito sobre o hotel e o porquê de eu nunca ter me hospedado lá. Deve estar bem caro claro.

Brincadeiras à parte, hospedar-se no Adlon pode ser mais em conta do que você imagina. O hotel possui vários tipos de quarto e oferece suítes duplas a partir de 250 euros.

Se o hotel mais famoso da cidade cabe no seu orçamento, reserva já aqui no link do Booking! Assim você ainda passa uma pequena comissão aqui pro blog. 😉  E se você está procurando outros hotéis ou albergues pela cidade, dá uma olhada nas dicas de nossos leitores.

Quem sou eu: Pacelli

Economista, mas apaixonado por filosofia, literatura, história e alta cultura, resolvi estudar os temas que aprecio em casa. Sempre procuro incluir essas temáticas nos meus posts sobre Berlim e Alemanha que você encontra por aqui.


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