Eleições na Alemanha: entenda como funciona e conheça os principais partidos

As eleições na Alemanha se aproximam

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Parlamento Alemão (Reichstag/Bundestag)

As importantíssimas eleições na Alemanha estão à vista. Elas ocorrem no dia 24 de setembro.

A Alemanha é uma República Federativa composta por 16 estados, 3 dos quais são cidades, como Bremen, Berlim e Hamburgo. Dentre os 16, 5 são chamados novos estados. Isso porque depois da queda do muro de Berlim, 5 estados da antiga Alemanha Oriental passaram a fazer parte da República Federativa da Alemanha. São eles: Brandenburg, Mecklenburg-Vorpommern, Sachsen, Sachsen-Anhalt e Thüringen.

E você pode perguntar, e Berlim? É um caso à parte, pois metade da cidade já pertencia à Alemanha Ocidental.


Uma República Federativa e Parlamentarista

Cada um dos estados alemães possui seu próprio parlamento e certo grau de autonomia.

Historicamente, o federalismo foi visto pelos Aliados Ocidentais como uma forma de domar a Alemanha do pós-guerra.

Quando você lê a história do pós-guerra, você sempre encontra uma referência aos 4 D’s. Desmilitarização, Democratização, Desnazificação e Descentralização.

E é exatamente por conta desse último “D” que o país é hoje uma federação. Assim o poder estaria menos concentrado, como havia sido durante todo o Terceiro Reich.


Como funcionam as eleições na Alemanha

A Alemanha é um país parlamentarista. E é disso que se tratam essas eleições.

A chanceler, Angela Merkel, não é eleita por voto direto. O presidente – sim a Alemanha tem um presidente e você provavelmente nunca ouviu falar dele – também é eleito de forma indireta.

Quando os alemães vão às urnas, eles têm dois votos, o primeiro, erststimme, e o segundo, zweitstimme.

O primeiro é para enviar o mais votado de cada distrito eleitoral para o parlamento, incluindo candidatos independentes. Ao todo são 299 distritos eleitorais, com uma média de 270.000 pessoas, cada um envia um deputado a Berlim.

O segundo voto é, apesar da sugestão do nome, o mais importante.

O segundo determina as frações no parlamento. Se um partido consegue 25% dos votos, ele terá pelo menos 25% dos assentos. A porcentagem mínima é de 5%, como uma cláusula de barreira da qual se fala no Brasil.

Dessa forma o parlamento é eleito e, depois das negociações, a coalizão para governar o país é formada.

A chanceler é eleita pelo Bundestag. Já o presidente é eleito pelo Bundesversammlung, que inclui o Bundesrat, que seria como a câmara alta, nosso senado.

Depois que os alemães decidem, os partidos ocupam, proporcionalmente, as cadeiras do Bundestag.

E quais são esses partidos? Qual é a história deles e o que defendem para as eleições alemãs de 2017? Continua lendo para descobrir.


Os partidos políticos alemães e suas plataformas


CDU/CSU – (Christlich Demokratische Union/ Christlich Soziale Union)

COR: PRETO

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Breve histórico do CDU/CSU

O partido de Angela Merkel (CDU) é um partido criado depois da Segunda Guerra Mundial.

A base da união CDU/CSU foi o antigo partido “Centro Católico”, que fazia parte da República de Weimar (proclamada em 9 de novembro de 1918), e membros de congregações cristãs.

A mentalidade do pós-guerra que contribuiu para a criação desses partidos foi a de que a Alemanha precisava de algo completamente novo. E isso fazia sentido, o ano de 1945, com o fim da Guerra, fica conhecido na Alemanha como Stunde Null (a hora zero), o ponto a partir do qual a história do país seria reconstruída.

Eles foram criados sem uma classe social específica como base eleitoral. Era para ser um partido para todos, com os valores cristãos no centro.

A união CDU/CSU elegeu o primeiro chanceler do pós-guerra, Konrad Adenauer. E de 1949 até 1969, os partidos governaram o país.

Konrad Adenauer (1949-1963), Ludwig Erhard (1963-1966) e Kurt Georg Kiesinger (1966-1969) foram os primeiros chanceleres da Alemanha Ocidental.

Em 1969 Willy Brandt, SPD, assume o cargo. Depois disso, o partido só põe alguém no cargo novamente em 1982, Helmut Kohl, o chanceler da reunificação, que permaneceu na cadeira até 1998, foi o mais longevo de todos. E, claro, Angela Merkel, no poder desde 2005 e candidata agora em 2017.

A Plataforma política do CDU/CSU 

Ambos os partidos se declaram social-cristãos, liberais e conservadores quanto aos valores. Acreditam que os valores e virtudes que construíram o país devem ser conservados.

Uma grande parte dos eleitores desses partidos têm mais de 60 anos. Mas isso não significa que a CDU/CSU tenha se tornado partidos de aposentados.

O programa divulgado para essas eleições mostra uma grande preocupação com família, segurança, educação e mercado de trabalho – que são temas muito caros para os mais jovens também.

Uma das maiores plataformas é o pleno emprego, uma vez que o programa coloca a taxa de desemprego abaixo dos 3% como alvo. Os impostos devem ficar inalterados e devem-se evitar novas dívidas.

Quanto à política externa, o foco é numa Europa unida e forte. A Turquia não deve entrar na União Europeia e a parceria com a França é fundamental.

Nesse programa eleitoral o tema segurança aparece como um dos mais críticos. Defendem mais pessoal nas forças policiais e mais câmeras de segurança nas cidades. Além disso, o gasto com defesa deve aumentar para 2% do PIB. 


SPD (Sozialdemokratische Partei Deutschland)

COR: VERMELHO

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Breve histórico do partido SPD

O SPD é o segundo maior partido alemão. E também, de longe, o mais antigo.

São 150 anos, desde os tempos imperiais, inimigos políticos de Otto von Bismarck, passando pela República de Weimar, perseguidos pelo Partido Nazista, e governando a Alemanha Ocidental com Willy Brandt.

O partido surgiu no mesmo momento da pesada industrialização alemã na segunda metade do século XIX. Foi criado como o partido da enorme classe social nascente naquele momento, a classe operária. O partido se consolidou na luta pelo direito desses trabalhadores.

Depois da Primeira Guerra Mundial, o SPD se torna o partido mais importante. Durante o Terceiro Reich, o partido foi jogado na ilegalidade e vários de seus membros foram perseguidos, mandados para campos de concentração e mortos.

Num primeiro momento do pós-guerra, o SPD não conseguiu arrebanhar tantos eleitores. Na época, o seu programa trazia exaltados valores revolucionários que não conseguiam tanto alcance num momento em que a mentalidade de reconstrução estava em voga.

Somente em 1959, com o chamado Godersberger Programm, é que o SPD se torna um partido de maior importância. Com esse programa, o SPD reconhecia a economia de mercado como mais eficiente; eles se reformaram, aceitaram fazer parte do “sistema”, e assim conseguiram outros grupos de eleitores. Esse programa serve de diretriz para o SPD até hoje.

E aparentemente esse programa fez efeito, uma vez que 10 anos depois eles elegeram o primeiro chanceler, Willy Brandt. Nessa época, o partido atingiu 46% dos votos!

O SPD já teve três chanceleres governando o país: Willy Brandt (1969-1974), Helmut Schmidt (1974-1982) e Gerhard Schröder (1998-2005). De 2013 até agora, 2017, o SPD faz parte da coalizão com o CDU/CSU, governando ao lado de Merkel.

A plataforma política do SPD

O SPD acredita que os mais fortes devem proteger os mais fracos. A palavra solidariedade é sempre bem central nas suas propostas.

Em termos de espectro político, o partido é visto como de esquerda. A sua cor, vermelha, desde muito tempo, relembra suas origens revolucionárias. Mas hoje, desde o Godersberger Programm, o SPD poderia ser considerado de mainstream, um partido de massa.

O título do atual programa do partido é Zeit für mehr Gerechtigkeit, é tempo para mais justiça, num sentido de justiça social.

Assim como o CDU, na política interna o SPD dá importância para a família. Mais precisamente para a educação. Toda a educação deve ser livre de taxas e mensalidades, desde o jardim de infância até as especializações. Chances iguais para todos devem ser buscadas.

Em relação à política externa, o programa também se assemelha ao do CDU. O SPD foca numa Europa forte. Usam seu candidato, Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, como argumento.

Eles defendem uma maior integração econômica europeia, mais solidariedade entre os países membros e até um exército comum. Além disso, decidiram ser mais prudentes numa entrada da Turquia na União Europeia, são favoráveis a uma aproximação com a Rússia e a uma diminuição do poderio bélico no mundo.

Quanto à segurança, o partido defende também mais pessoal nas polícias, assim como o CDU, mas insiste em dar maiores condições para a prevenção de crimes.

Na economia o SPD se declara a favor de mais direitos para os empregados contratados e para os terceirizados. Defendem um mercado de trabalho que reconheça o valor do trabalhador.

São contrários a mudanças nas leis de asilo político. As causas dos pedidos de asilo é que devem ser combatidas.


AfD (Alternative für Deutschland)

COR: AZULeleicoes alemanha partidos

Breve histórico do partido AfD

O AfD é de longe o partido mais polêmico da Alemanha atualmente.

Ele surge como um partido fortemente crítico ao Euro e à União Europeia. Um de seus fundadores, Bernd Lucke, professor de economia pela Universidade de Hamburgo, iniciou um círculo de debates com outros economistas para discutir as possibilidades da Alemanha diante da crise do euro.

Os membros desse círculo de debates perceberam que só com os encontros seria difícil mudar algo e, a partir daí, decidiram fundar um partido.

Desde abril de 2013 o AfD é um partido na Alemanha. Isso faz dele, de longe, o partido mais jovem com reais chances de entrar no parlamento em 2017.

As três cabeças mais importantes no momento de criação do partido foram o professor de Economia da Universidade de Hamburgo Bernd Lucke, a doutora em Química Frauke Petry e o jornalista Konrad Adam.

Naquele momento, o programa do AfD era basicamente afastamento do euro e da União Europeia. E nas eleições de 2013 eles chegaram realmente muito perto de entrar no parlamento. Obtiveram 4,7% dos votos, aproximando-se muito dos 5% necessários para passar pela cláusula de barreira.

Não conseguiram entrar no parlamento federal, mas em 2014 já tinham 7,1% dos votos para o parlamento europeu e entraram em diversos parlamentos estaduais aqui na Alemanha.

Em 2015 houve uma convenção partidária na qual duas alas do partido disputaram sua liderança. Os liberais conservadores, que davam muito foco à economia, representados pelo Bernd Lucke, e os nacionais conservadores, representados pela química Frauke Petry. Lucke foi derrotado e sai do partido, assim como vários outros membros.

O AfD assume uma postura mais nacional conservadora e os especialistas falam em um claro deslocamento para a direita.

Antes de sua derrota na convenção partidária, Lucke advertia que o partido procurava cada vez mais eleitores e membros à direita.

Um político conhecido do partido, Björn Höcke, em uma reunião do partido, fala do memorial do holocausto em Berlim como um memorial da vergonha e é duramente criticado pela imprensa e por membros do próprio partido. A imprensa alemã costuma tratar o AfD como um partido populista de direita, rechtspopulist.

A já mencionada Frauke Petry se manifesta a favor de uma exclusão do Björn Höcke, mas encontra pouca ressonância dentro do partido e perde seu posto de destaque.

A partir desse momento, o AfD assume uma cara de partido nacional conservador.

A plataforma política do AfD

O AfD é outro partido que foca bastante na família, mas de uma maneira bem diferente. O AfD é favorável ao fomento à família, mas à família alemã. Filhos de estrangeiros não devem receber automaticamente a cidadania do país.

Na economia eles defendem a diminuição dos impostos, com destaque para o Mehrwertsteuer, tipo o nosso ICMS, de 19 para 7%. São favoráveis aos subsídios para empresas alemãs. Reconhecem os méritos da economia de mercado e são contrários aos desmandos do governo na economia.

Em relação a política externa, como é de se esperar, o AfD permanece fiel aos seus princípios do início da história do partido. Continuam muito críticos ao euro e à União Europeia e defendem a saída da Alemanha da moeda comum, com a reintrodução do marco alemão.

Ao quesito segurança o partido também dá muita ênfase. Eles afirmam que a Alemanha é um país muito mais inseguro desde a vinda de milhões de pessoas. Lutam por uma fronteira mais controlada e pela reintrodução do serviço militar obrigatório (desde 2011 só voluntário).

Outro tema central para o partido é a mudança das leis para asilo político na Alemanha. Desde a constituição do país de 1949, pessoas perseguidas em seus países, por diversas questões, têm direito automático de asilo político na Alemanha. Isso o AfD quer mudar, pois afirmam que são leis que não estão adaptadas ao contexto atual.


FDP (Freie Demokratische Partei)

COR: AMARELO

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Breve histórico do partido FDP

Tentemos não rir da sigla do partido. Piadinhas à parte, o FDP é o partido liberal por excelência.

O movimento que deu origem ao partido remonta ainda ao século XIX. Os acadêmicos, estudantes, e profissionais liberais da época acreditavam que a vida dos indivíduos era muito controlada por fatores externos, como o rei e o Estado. Os liberais daquela época, na Alemanha, ansiavam simultaneamente por um país unido e forte, onde as pessoas tivessem controle sobre suas próprias vidas.

No pós-guerra, o FDP foi criado sobre os mesmos fundamentos. Diferentemente do CDU/CSU e do SPD, ele nunca foi tido, nem nunca se considerou, um partido de massas. Eles têm um tipo de eleitor definido e se aproximam muito do empresariado.

O FDP fez parte de quase todos os gabinetes formados desde 1949, às vezes com o CDU/CSU, e às vezes com o SPD. Dos 23 gabinetes já formados, o FDP participou da coalizão para governar o país 17 vezes.

Ao longo das décadas sempre foi considerado uma das forças políticas mais relevantes do país.

Porém, nas últimas eleições federais, em 2013, o partido amargou 4,8% dos votos, 9,8% pontos percentuais a menos que em 2009. Isso o tirou do parlamento federal, já que não obteve os 5% necessários para entrar.

Nessa eleição de 2017, os liberais têm grandes esperanças de voltar com tudo. Fizeram uma reformulação do partido e mudaram a liderança. Christian Lindner é o novo nome. Ele vem de uma forte cultura de empreendedorismo.

A plataforma política do FPD

Na proclamação de Heppenheim, documento fundador do partido, defendem que o Estado deve se manter o mais distante possível da vida do indivíduo. Tanto em questões culturais quanto em questões econômicas.

Ao mesmo tempo, porém, no programa do partido para a eleição do dia 24 de setembro, eles falam numa centralização do sistema educacional. A ideia é a de que a Alemanha deve despontar com a melhor educação do mundo, por isso precisariam de um alto padrão de qualidade em nível federal.

Ainda no tema educação, o FDP é favorável ao pagamento de taxas para os estudantes das universidades, mas somente pagas depois do final do curso.

Na política externa são da opinião de que os acordos de comércio são fatores determinantes para o bom relacionamento entre países. Para os liberais, a União Europeia é algo bom, mas que precisa de reformas. Entre elas, a criação de um exército comum.

As propostas liberais para a segurança incluem o trabalho conjunto de vários países, mas rejeitam o aumento do número de câmeras de segurança e a compilação de dados pessoais.

Na economia, acham que cada um deve ser responsável pelo próprio sucesso. O papel do Estado deveria ser simplesmente dar condições para que as pessoas atinjam seus objetivos. As lojas devem ter liberdade para abrir aos domingos e a economia digital deve ser menos regulada.


Die Grünen

COR: VERDE

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Breve histórico do partido Die Grünen

No final da década de 60, governava na Alemanha uma coalizão do CDU/CSU com o SPD. Essa coalizão era, e ainda é, chamada de “grande coalizão”. Isso porque os dois maiores partidos, com uma imensa maioria do parlamento, se juntam para governar. Com isso, qualquer tipo de oposição dentro do Bundestag praticamente desaparece.

Foi também nessa época que os estudantes de toda a Alemanha ocidental começaram a sair nas ruas. Eles protestavam contra o establishment, contra os poderosos do país que tinham um passado ligado ao nazismo. Como não havia uma oposição dentro do parlamento, eles tiveram que criar uma oposição fora dele. E assim surgiu o APO (Außerparlamentarische Opposition), ou oposição extraparlamentar.

Nos anos seguintes, outros dois movimentos se desenvolveram. O movimento ambientalista, principalmente depois dos alertas do Clube de Roma, e o movimento pacifista.

E a partir desses três surge o partido verde alemão. Inicialmente, eles se apresentavam como um partido anti-partido, com características revolucionárias.

Dentro do partido, duas alas começaram a disputar a liderança. A primeira ala era a dos “Realos”. Eram os mais realistas, que diziam que, para o partido conseguir alcançar seus objetivos, eles deveriam entrar no jogo. Seguiam os dizeres do líder estudantil Rudi Dutschke: Marsch durch die Institutionen, marcha por dentro das instituições.

A segunda ala é a mais radical. Chamados de “Fundis”, seriam os mais fundamentalistas e revolucionários. Eles eram contrários à integração do partido verde no sistema e tinham uma gama de pautas extremamente controversas, para dizer o mínimo. Entre elas a defesa do comunismo e da pedofilia, ou legalização de prática sexual com crianças. E essa mesma ala estava simultaneamente ligada a pessoas de extrema direita.

A primeira ala, a dos Realos, sobressaiu nas disputas internas do partido. As pautas defendidas pelos Fundis não aparecem mais nos atuais documentos do partido.

Os Realos dominaram tanto o partido que, em 1998, durante os dois mandatos (1998-2005) de Schröder (SPD), o Die Grünen fez parte da coalizão governante.

A plataforma política do Die Grünen

Diferentemente do SPD e do CDU/CSU, o partido verde alemão não é um partido das massas. Eles representam um grupo de interesse específico. E as pautas defendidas por eles deixam isso claro.

Como o nome do partido sugere, eles dedicam boa parte de suas propostas ao meio ambiente. Uma delas defende que até 2030 toda a matriz energética da Alemanha deverá ser de fontes limpas e renováveis. A criação em massa de animais para consumo deve acabar, de forma que eles tenham mais dignidade.

Defendem mais verba para jardins de infância, de modo que os pais possam ir trabalhar e deixar os filhos nesses locais. São favoráveis a um salário mínimo mais elevado para todos.

A política externa do partido está fortemente interligada à defesa do meio ambiente. Os países devem se juntar para amenizar os efeitos ruins do desenvolvimento. A ideia é que seja um trabalho realmente em conjunto, com a assinatura de tratados que devem ser respeitados.

A exportação de armas para países politicamente duvidosos deve ser proibida e mais dinheiro deve ser destinado para a resolução de conflitos.

Sobre o tema segurança os verdes também dizem que somente com uma cooperação internacional é que os perigos podem ser efetivamente combatidos. Declaram-se contra o aumento do número de câmeras de segurança, mas a favor do aumento do efetivo policial.

Defendem também o aumento de recursos para o combate aos extremismos, tanto o extremismo islâmico quanto o de direita. O extremismo de esquerda não é mencionado.

Na questão econômica também nota-se uma interligação com as preocupações ambientais do partido. Como já mencionado, são contrários às criações em massa de animais. As pessoas e o meio ambiente são mais importantes do que a economia. Defendem ainda maior regulação dos bancos e mais leis protetoras e reguladoras do meio ambiente.

No grande tema refugiados, querem acelerar o processo de visto de asilo político e integrá-los o mais rápido possível, com aulas de alemão e cursos de integração. Defendem uma reforma nas leis de imigração.


 Die Linke

COR: VERMELHO (ou rosa para diferenciar do SPD)

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Breve histórico do partido Die Linke

O partido, cujo nome já significa esquerda, foi fundado somente em 2007, mas não é apenas nesse ano que sua história começa.

Em 1989, no ano da queda do muro de Berlim, o partido socialista SED, que havia governado a Alemanha oriental por 40 anos, decide se reformar.

Cerca de 95% dos membros do partido governante da Alemanha Oriental abandonam o partido e a reforma é feita. O Partido muda de nome. Torna-se o PDS (Partei des Demokratischen Sozialismus). A democracia passaria a ser o ideal do partido.

Desde o início do PDS eles se colocavam como bem críticos do capitalismo, como fomentadores da solidariedade e da paz no mundo.

O PDS continua existindo mesmo depois da reunificação alemã em 3 de outubro de 1990, recebendo ainda muitos votos nos antigos estados da Alemanha oriental. Na antiga Alemanha ocidental, entretanto, o partido não consegue um bom eleitorado.

Um outro partido da esquerda na antiga Alemanha ocidental, formado por, entre outros, dissidentes do SPD e líderes de sindicatos, era o WASG.

Ambos os partidos, visando somar suas forças, decidiram se juntar já nas eleições de 2005 e tiveram um bom resultado. Assim, em 2007, o partido Die Linke foi fundado.

A plataforma política do Die Linke

O título do programa para as eleições de 2017 é, “Sozial. Gerecht. Frieden für alle. Die Zukunft, für die wir kämpfen!” Traduzindo: Social. Justo. Paz para todos. O futuro pelo qual lutamos!

O partido pede, na área da educação, mais dinheiro para os estudantes e para que eles não precisem pagar nada depois de terminar o curso. São favoráveis, assim como o FDP, a um sistema de educação centralizado, não um por estado, como é agora.

Em economia, os ricos devem pagar ainda mais impostos e os mais pobres menos. Propriedades devem ser taxadas e o imposto sobre herança deve ser aumentado.

O trabalhador deve ter mais estabilidade e o salário mínimo deve ser de pelo menos €12 a hora (atualmente é de € 8,84). Defendem também que o maior salário de uma empresa deve ser de, no máximo, 20 vezes o rendimento do trabalhador que ganha menos.

A plantação e o consumo próprio da maconha devem ser legalizados.

A política externa, como já sugerido pelo título do programa eleitoral de 2017, deve ser pautada pela paz. Para isso defendem mais dinheiro para o desenvolvimento dos países, proibição da exportação de armas e diminuição dos gastos com defesa. Além disso, põem-se contrários à atuação do exército alemão no exterior e a qualquer tipo de intervenção militar.

A União Europeia é para o partido algo bom, mas que necessita de várias reformas. A União deve se tornar mais democrática e menos controlada pelos bancos.

Na questão da segurança são também contrários ao aumento no número de câmeras de vigilância e a polícia deve ser mais controlada.

A política de imigração do partido é, de longe, a mais abrangente. Todos devem ter o direito de estadia no país. As deportações devem ser paradas imediatamente. Não somente aqueles que são perseguidos em seus países devem ter o direito ao asilo político, mas qualquer um deve ter a possibilidade de viver na Alemanha.


Resultados das eleições anteriores 

Nas eleições alemãs de 2013, o CDU/CSU teve um dos melhores resultados de sua história. O FDP não obteve o mínimo necessário para entrar no parlamento e o AfD, por 0,3 pontos percentuais, não entra. Mas vamos aos números mais gerais:

Union      41,5%         (+7,7)

SPD         25,7%          (+2,7)

FDP         4,8%            (-9,8)

Linke       8,6%           (-3,3)

Grüne      8,4%          (-2,3)

AfD          4,7%           (+4,7)

Outros    6,2%

A participação do total do eleitorado foi de 71,5%. Os números em parênteses mostram a variação em relação ao resultado do ano passado em pontos percentuais. O aumento de 7,7 pontos para o CDU/CSU e a queda de 9,8 pontos para o FDP chamaram muita atenção em 2013.


Pesquisas para as eleições de domingo

 Esse post foi escrito no dia 17 de setembro de 2017. A pesquisa que eu utilizei para essa postagem foi a da Neue Emnis WahlumfrageEssa pesquisa foi feita no mesmo dia 17, portanto a mais recente disponível.

De acordo com os números da pesquisa os partidos obtiveram as seguintes porcentagens das intenções de votos:

CDU        36%

SDP         22%

FDP         9%

Linke     10%

Grüne     8%

AfD          11%

Outros    4%

 Com essa pesquisa, a uma semana das eleições na Alemanha do dia 24, já sabemos mais ou menos o que esperar.

Ambos os partidos da atual coalizão governante saem com menos cadeiras do que nas eleições passadas de 2013. Espera-se uma queda de aproximadamente 5 pontos para o CDU/CSU, partido de Angela Merkel e cerca de 3 pontos a menos para o SPD, de seu concorrente Martin Schulz.

 O FDP, que nem havia conseguido entrar no parlamento em 2013, tem grandes chances de voltar. As últimas pesquisas indicam de 9 a 10% dos votos. Se essa tendência se confirmar no próximo domingo, será um acréscimo de 5 pontos aproximadamente.

O partido da esquerda, o Die Linke, também parece crescendo. Nas eleições alemãs de 2013 tiveram 8,6%, perdendo 3,3 pontos em relação a 2009. Para 2017, as últimas pesquisas preveem algo entre 8 e 10,5%.

Os verdes do Die Grünen aparecem relativamente estáveis, com 8% das intenções. Aparentemente não recuperarão os quase 11% de 2009.

E o resultado das eleições na Alemanha que atrai a maior atenção dos políticos e da imprensa talvez seja o do AfD.

Foi um partido criado no ano das eleições de 2013 e por muito pouco não entrou no parlamento federal. Para essas eleições de 2017, alguns veículos de imprensa falam na possibilidade de o partido se consolidar como terceira força no Bundestag. Isso deixaria o partido na frente do FDP e do Die Grünen, partidos que já fizeram parte de coalizões que governaram o país.

E é isso que essa última pesquisa da Neue Emnis Wahlumfrage indica. Os verdes com aproximadamente 8, o FDP com 9 e o AfD com 11%, atrás apenas do CDU/CSU e do SPD, ambos partidos de massas.

Conjecturas para o sucesso do AfD

Existem várias. Todas elas  se concentram nas insatisfações de algumas camadas da população alemã. Problemas com a União Europeia, com o Euro, aumento da criminalidade? A chegada dos refugiados e uma percepção do excesso de estrangeiros no país? A Alemanha estaria abandonando sua tradição do pós-guerra de abertura para o mundo? Seria um virada definitiva à direita?

O resultado das eleições já teremos no próximo domingo, mas as causas para a suposta mudança de mentalidade do eleitorado alemão ainda será motivo de debate no país nos próximos meses ou anos.


Fontes

http://www.bernhard-gaul.de/wissen/bundeskanzler.php (Coalizões formadas desde 1949)
https://wahl.tagesschau.de/wahlen/2013-09-22-BT-DE/index.shtml (Resultado das eleições em 2013)
http://www.wahlrecht.de/umfragen/ (Pesquisas mais recentes)

Os vídeos mencionados abaixo, usados como base para os tópicos abordados sobre cada partido, são todos do canal MrWissen2go. É um dos maiores canais em alemão sobre temas diversos. O criador foi, inclusive, chamado para entrevistar os principais candidatos.

(vídeo em alemão sobre o partido CDU/CSU)
(Programa do partido CDU/CSU para as eleições de 2017)
(vídeo em alemão sobre o partido SPD)
(Programa do partido SPD para as eleições de 2017)
(vídeo em alemão sobre o partido AfD)
(Programa do partido AfD para as eleições de 2017)
(vídeo em alemão sobre o partido FDP)
(Programa do partido FDP para as eleições de 2017)
(vídeo em alemão sobre o partido Die Grünen)
(Programa do partido Die Grünen para as eleições de 2017)
(vídeo em alemão sobre o partido Die Linke)
(Programa do partido Die Linke para as eleições de 2017)

Quem sou eu: Pacelli

Economista, mas apaixonado por filosofia, literatura, história e alta cultura, resolvi estudar os temas que aprecio em casa. Sempre procuro incluir essas temáticas nos meus posts sobre Berlim e Alemanha que você encontra por aqui.


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2 Comments

  1. Felipe Vaz 18/09/2017 Reply

    Excelente resumo da situação. Obrigado!

  2. Nicolau neves 18/09/2017 Reply

    Parabéns pelo excelente trabalho de pesquisa. Tava precisando me atualizar e esclarecer muitos pontos, teu texto com certeza ajudou.

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